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À torcida do Cruzeiro

Cruzeiro deve respostas à Justiça pela conduta da diretoria; à sociedade pelas condutas antidesportivas; aos adversários pela conduta desrespeitosa; ao seu torcedor pela conduta em campo; e ao futebol por ter feito tudo este ano, menos jogar bola.

04/12/2019 às 07:39

Amigos, estou com esta coluna praticamente pronta há mais de um mês. Segurei até o último momento em respeito aos torcedores passionais e à minha mãe, que seria xingada mais do que será agora por aqueles que não querem usar a razão para falar e tratar de Cruzeiro. Mas é hora de botar a mão na ferida, já que está longe de se cicatrizar.

A equipe, até então de Mano Menezes, começou o ano como uma das três potências brasileiras ao lado de Palmeiras e Flamengo. Na prática demonstrou seu poder ao acumular 22 jogos sem derrota. A boa fase terminou justamente diante do Flamengo, perdendo lá no Rio a estreia do Campeonato Brasileiro. 

O último jogo do ano será contra o Palmeiras, num cenário que a equipe que Mano Menezes iniciou o ano jamais imaginaria estar; num contexto que coloca Cruzeiro literalmente na outra ponta de Palmeiras e Flamengo, sendo tudo, menos participante da trinca-de-potências nacional.

Entre o jogo contra o Flamengo, dia 27 de abril, e contra o Palmeiras, no próximo domingo, a queda do Cruzeiro foi vertiginosa, e se aproxima do fim, podendo concretiza-la. Não digo pela grande porcentagem de chance de rebaixamento, mas pelo fundo do poço que o clube como um todo se enfiou. 

Diretoria nas páginas policiais; técnico saindo pela porta dos fundos após puxão de orelha de elenco; jogador pedindo diretoria para pagar salário em troca de vitória ‘mais que obrigatória’. Em suma, 2019 na Toca da Raposa foi de mais de uma diretoria, mais de uma comissão técnica e mais do mesmo futebol. 

Não cair vai ser histórico, mas isso não pode deixar as cobranças de lado e ocasionar em um rombo ainda maior para 2020. Ao torcedor, é preciso coerência e pés no chão para entender que título e permanência na Série A não podem vir a qualquer custo. Há sempre o dia de amanhã, e ele é consequencial.

Assim como a classificação diante do Atlético na Copa do Brasil ainda no meio do ano fez esquecer os escândalos pré e durante a Copa América - tempo em que o time já estava na zona de rebaixamento. Assim como Thiago Neves ouviu gritos de apoio e de ira em um único jogo, diante do CSA. Assim como ninguém ligou quando esse mesmo camisa 10 disse que chegou atrasado na concentração da final da Copa do Brasil do ano passado porque estava passeando, mas agora o recrimina pela ida à show. Entre tantas outras coisas e oba-oba momentâneos e inconsequentes...

Cruzeiro deve respostas à Justiça pela conduta da diretoria; à sociedade pelas condutas antidesportivas; aos adversários pela conduta desrespeitosa; ao seu torcedor pela conduta em campo; e ao futebol por ter feito tudo este ano, menos jogar bola. 

“Objetará alguém que eu estou misturando alhos com bugalhos. Nem tanto, amigos, nem tanto. Qualquer profissão há de ter um sentido ético que a justifique e valorize. O futebol profissional exige dinheiro, mas não só dinheiro. Ele implica algo mais, ou seja: implica os tais valores gratuitos que conferem a um jogo, a uma pelada uma dimensão especialíssima. Um match representa algo mais que pontapés. Participam da luta dois clubes e todos os seus bens morais, afetivos, líricos, históricos”, Nelson Rodrigues
 

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