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O pior presidente da história?

Assim como muitos políticos, vários cartolas não pecam “apenas” pela corrupção; em ambas as posições, o preparo intelectual adequado para o cargo prova-se raríssimo.

11/12/2019 às 04:46
O pior presidente da história?

Na retórica, na maneira de se expressar, certamente sim. Mas o problema aqui não passa pelo tecnicismo com a forma; o que supera qualquer índice cômico, o que esbarra no canhestro, é a junção da total incapacidade verbal com o mais cristalino exalar da ausência de conteúdo. De conhecimento. De preparo. Wagner Pires de Sá não sabe nada de futebol, e suas entrevistas, suas aparições públicas, independentemente do rebaixamento moral e de divisão ao qual ele e sua corja submeteram o Cruzeiro, sempre deixaram este defeito bem claro.

Qualquer um que apurasse minimamente os bastidores das últimas eleições para presidente da Raposa saberia que a chapa encabeçada por Wagner – mas de fato comandada, no que se refere à articulação, por Itair e Serginho – basicamente interditava seu representante primordial na hierarquia de dar declarações. O medo de que o público soubesse o nível da falta de noção do candidato a chefe da Toca acerca de qualquer aspecto relacionado ao esporte bretão era patológico. Como os pleitos nos clubes de futebol no Brasil, em geral, ocorrem em circuitos fechados, funcionando como feudos, capitanias hereditárias facilmente manipuláveis, a inexistência de méritos nunca foi problema. Ademais, o colégio eleitoral – leia-se, os conselheiros – não costuma formar-se por pessoas capazes de avaliar os predicados intelectuais dos aspirantes ao trono. No fundo, para a maioria, normalmente, isso não importa; sequer chega a ser uma questão.

Muitas vezes um cartola pode ser uma nulidade no que concerne ao campo, ao jogo, mas se viabiliza pelo talento com as finanças, a parte dos negócios que acabam interferindo tanto nas quatro linhas. Considerando as comissões estratosféricas e desnecessárias pagas a empresários, os montantes desproporcionais investidos nos direitos e nos salários de atletas – cifras fora da realidade da instituição, que colocavam a saúde monetária desta em sérios riscos –, convenhamos, Wagner se posiciona no exato oposto deste perfil.

Embarquemos, por um momento, num rompante compassivo. Quem sabe nosso personagem brilhara, pelo menos, num dos grandes atributos associados aos líderes: o saber para delegar. Também nisso, Wagner não conseguiria fazer escolhas piores nem se tentasse. Inicialmente, portou-se como a Rainha da Inglaterra de Itair. Depois, enfiou o rabo entre as pernas e submeteu-se aos desmandos de Perrella. Ambas as figuras a quem ele se curvou, principalmente em termos éticos, dispensam apresentações.

Em suma, depois deste árduo exercício para encontrar qualidades em quem ocupa um cargo tão nobre, o que sobra? Nada. Wagner provavelmente carrega consigo alguma habilidade. Mas nenhuma delas, certamente, conecta-se ao futebol.

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