Eduardo Costa

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Mundos paralelos

24/12/2019 às 10:17

Nesta época, é natural que a gente agradeça a papai do céu por tudo o que construiu no ano, mas, peça humildemente que leve também alegria aos lares de todos os humanos. E, claro, nossa maior preocupação é com os que estão na rua, entregues ao frio, ao calor e a à chuva; aos que moram em barracos improvisados, em áreas mais perigosas, com coberturas de lonas pretas, aquelas que não seguram o frio e maximizam o calor. Naturalmente, incluímos nas nossas orações os que estão desempregados; afinal, como celebrar e renascer sem o mais básico no existir que é o trabalho?

De repente, a gente fica sabendo que o herdeiro da Odebrecht foi demitido da empresa. E aí eu pergunto a você caro leitor: a nossa compaixão deve se voltar apenas aos deserdados ou precisamos orar por pobres meninos ricos como Marcelo Odebrecht?

Por conta da profissão, conheço relativamente as duas pontas da sociedade desigual neste país: os que nada têm, mas, conseguem construir laços de afetos verdadeiros e solidariedade permanente. e os que têm demais, mas, provavelmente em função da luta de décadas para amealhar fortuna, descuidaram da aliança, da parceria, da conversa olho no olho. E ouso dizer que a família Odebrecht vai passar o fim de ano muito pior do aquele aquela gente que se esconde debaixo da lona, às margens do Anel Rodoviário, no trecho mais perigoso do Betânia.

Sei que muitos vão dizer: “Deixa de ser bobo, essa gente não liga”, ou “com uísque de primeira esquece-se tudo e o sono chega”. Claro que haverá quem deseje “o inferno para os que infelicitaram o país com tanta corrupção”. Eu quero falar é de outro ângulo: valeu a pena?

Vale a pena o dinheiro pelo dinheiro. Você no lugar do Emílio constrói um império, ganha o mundo e, quando chega a velhice, vê seu castelo ruir, tem de demitir seu filho porque ele, depois de preso, entregou todas as mazelas da construtora e ainda culpou o pai pela maioria delas.

Se o menino Jesus nasceu numa manjedoura, é natural que ele terá mais intimidade com os desvalidos, mas, como ele é pura bondade, não se esquecerá dos castelos de infelizes.

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