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Ex-companheiro de cela diz que senador Flávio Bolsonaro visitava miliciano na cadeia

Por Agência Estado, 20/02/2020 às 15:50
atualizado em: 20/02/2020 às 17:25

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Foto: Reprodução
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Ex-companheiro do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega na prisão, o vereador do Rio e sargento da Polícia Militar Ítalo Ciba (Avante) afirmou ao jornal O Globo que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) visitou os dois "mais de uma vez" na cadeia. A família Bolsonaro tem negado que existia uma relação entre eles e o miliciano morto no dia 9 na Bahia.

A reportagem tentou contato com o vereador, mas a assessoria disse que ele não vai mais falar. A equipe dele, no entanto, confirmou as afirmações feitas ao jornal carioca.

Ciba também disse que Adriano frequentava o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj, quando o senador era deputado estadual.

As idas ao local teriam sido feitas a convite de Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro e apontado como operador dos desvios de recurso no gabinete.

O próprio Adriano seria beneficiado pelo esquema de rachadinha, segundo o Ministério Público fluminense.

Ex-capitão do Bope, Adriano teve a mãe e a ex-mulher empregadas na Alerj. Elas seriam funcionárias fantasmas.

Além deste vínculo, o então deputado presenteou o miliciano, em 2005, com a Medalha Tiradentes, maior honraria do Legislativo do Rio. Ele estava preso quando foi homenageado.

O senador afirmou, em nota, que só visitou Adriano na ocasião da entrega da medalha. Ítalo Ciba, contudo, disse que houve mais visitas.

Ele e o miliciano ficaram presos juntos em 2003, quando integravam o Grupamento de Ações Táticas (GAT), comandado por Adriano. Foram acusados de homicídio, tortura e extorsão. Foi nesse período, segundo o vereador, que Flávio visitou mais de uma vez a prisão.

"Não há nenhuma relação de Flávio Bolsonaro ou da família com Adriano", diz a nota enviada pelo senador ao Globo.

O jornal carioca tentou, via Lei de Acesso à Informação, obter a lista de visitas recebidas pelo então policial militar na cadeia, mas o órgão alegou sigilo.

A Alerj disse não ter registros de visitas de Adriano a gabinetes, mas reconheceu que o sistema do prédio anexo, onde ficam os escritórios dos deputados, era falho até o ano passado.

Vídeo fake?

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), contestou o vídeo publicado por Flávio Bolsonaro com uma imagem do suposto cadáver do ex-capitão. O material foi publicado pelo senador e filho do presidente da República no Twitter na terça-feira (18).

"Como é que eu vou periciar um vídeo que está circulando na internet? Mas eu posso lhe garantir que aquilo não é nem do IML da Bahia, nem do IML do Rio", disse Costa, após uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) na noite dessa quarta-feira (19)

"Imagem hoje, vocês que são de comunicação, editam do que jeito que quiser, mas não são imagens (de Nóbrega). As imagens do corpo tem uma saída de bala nas costas, e as costas ali estão lisas", disse o governador a jornalistas.

A publicação de Flávio Bolsonaro insinua que o miliciano foi torturado antes de ser morto, versão descartada pela necrópsia oficial.

Ainda na terça, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, havia rebatido as acusações do senador.

Segundo o secretário, o vídeo divulgado pelo parlamentar não teve a autenticidade reconhecida pela perícia da Bahia, nem pela perícia do Rio de Janeiro.

No mesmo dia, o Departamento de Polícia Técnica do Rio informou que o vídeo não havia sido gravado no local.

Nova necropsia

O corpo do miliciano passará por um novo exame cadavérico na tarde desta quinta-feira, no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro.

"Capitão Adriano", como era conhecido, foi baleado depois que a polícia invadiu o sítio onde ele estava escondido. Segundo a PM, houve troca de tiros. A família de Nóbrega, no entanto, diz que ele foi executado.

A Justiça da Bahia autorizou na noite de terça-feira a realização do novo exame. O pedido havia sido feito pelo Ministério Público da Bahia e também pela família de Nóbrega. Na decisão, o juiz Augusto Yuzo Jouti determina que o exame seja feito por peritos do IML do Rio, onde o corpo está desde o último domingo. De acordo com a decisão, no entanto, a família e o MP da Bahia podem indicar peritos independentes para acompanhar o exame.

O objetivo do novo exame é determinar a distância aproximada entre os policiais e Adriano, o trajeto percorrido pelas balas no interior do corpo do ex-PM e o calibre das armas usadas. Será possível averiguar também se houve tortura, como foi alegado pelo senador Flavio Bolsonaro.

Segundo os promotores, tais questões não foram devidamente esclarecidas na primeira necropsia, feita no IML de Alagoinha, cidade vizinha à Esplanada. Com esses esclarecimentos, acreditam será possível determinar se houve, de fato, uma troca de tiros ou uma execução.

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